quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Amor não te afasta dos amigos, não te priva da vida...




Estava conversando com uma colega esses dias e, no meio da conversa, ela me disse que não poderia ir em uma festa da faculdade com a gente, porque o namorado dela não queria ir e também não queria que ela fosse. Fiquei um pouco sem reação na hora e perguntei se ela não se sentia incomodada com isso, porque dias atrás ela havia comentado que estava realmente empolgada com a festa. Ela respondeu que não, e comentou que ele era muito ciumento e que provavelmente faria uma cena se ela fosse e que eles acabariam brigando depois, então ela preferia não ir para não se desgastar. O que mais me chocou na hora, foi que ela falou isso tudo de um jeito completamente normal, como se aquilo fosse algo comum,  algo que acontece o tempo todo.

Depois que ela foi embora, fiquei refletindo por muito tempo e acabei lembrando de todas as pessoas, principalmente mulheres, que haviam me contado algo parecido com a história dessa colega. Me peguei pensando em cada história, cada filme, cada música que normaliza e pior, romantiza, esse tipo de comportamento e isso me deixou um pouco assustada. Foi então que resolvi fazer algumas perguntas para mim mesma e para algumas mulheres que conheço. As perguntas eram basicamente: “Você já deixou de sair com alguma roupa porque seu namorado não gostava ou achava muito curta? Você já deixou de ir a algum lugar porque seu namorado não queria que você fosse? Você já sentiu-se culpada por alguma coisa que não era sua culpa, mas ele disse que era? Você já se afastou aos poucos daquele seu melhor amigo porque seu namorado não achava ele uma boa pessoa? Você já tirou sua maquiagem porque seu namorado não achava legal ou disse que estava “exagerada”? Você já deixou de ir em algum lugar que queria muito ir para evitar uma briga?”

As perguntas eram simples e o que mais me chocou foi que todas, todas as mulheres para quem fiz as perguntas, responderam “sim” para pelo menos duas delas. É preocupante como normalizamos coisas que não são normais, como vamos aceitando coisas ruins sem perceber, sem nos darmos conta. A gente vai aprendendo desde criança que esse tipo de coisa é aceitável, que relacionamentos são assim mesmo, que temos que relevar, mas a grande verdade é que não temos, não esse tipo de comportamento, não esse tipo de “amor”. Estar em um relacionamento desses não é normal. Ouvir as pessoas comentarem que você parecia mais feliz antes do seu relacionamento não é normal. Estar com alguém que constantemente coloca você para baixo não é normal. Esse tipo de “amor” não é normal, não é amor.

Não é amor quando faz mais mal do que bem, não é amor quando faz você sentir culpa por algo que não existe, por algo que não foi sua culpa. Não é amor quando uma pessoa faz você acreditar que ela é a única capaz de te amar, te querer, te achar bonita. Não é amor quando alguém te diminui e faz você acreditar que têm esse tamanho mesmo. Não é amor se machuca, xinga e humilha você. Não é amor se decide onde você vai,  com que roupa você vai ou quantos amigos você tem. É difícil enxergar esse tipo de situação, é difícil entender que a violência existe além da física, que esse tipo de comportamento, que crescemos aprendendo que é normal, não tem nada de normal, que esse “amor”, não é amor, não realmente.

Amor não te afasta dos amigos, não te priva da vida, não te faz largar a escola, o trabalho, a família. Amor não é posse, não é briga todo dia, não é ter que dar justificativa para tudo, não é ficar mais triste do que feliz, não é ligação de cinco em cinco minutos, nem essa culpa enorme embaixo dos olhos. Não é amor se te faz acreditar que mais ninguém será capaz de amar você. O amor não é uma prisão. O amor, por si só, não faz reféns. Não podemos mais deixar que nos façam acreditar  que esse tipo de atitude é normal, que esse ciúme possessivo e controlador é uma demonstração de amor, porque não é. Então talvez seja a hora de repensarmos algumas coisas, alguns ensinamentos que damos as nossas filhas, amigas, colegas, algumas coisas que aprendemos a vida inteira, algumas histórias que são vendidas como "lindas histórias de amor". Talvez seja a hora de nos libertamos dessa culpa toda, pois sentir-se presa, a um relacionamento ou alguém, não é normal. 

domingo, 10 de setembro de 2017

Odeio me preocupar com cada e-mail, cada mensagem, cada palavra que disse em uma reunião ou para um grupo de pessoas...





Às vezes, em dias completamente comuns, deito na minha cama e começo a me perguntar o porquê de me preocupar tanto com algumas coisas tão simples e começo a imaginar como seria minha vida se eu não me cobrasse tanto, ou não pensasse tanto sobre cada micro detalhe das coisas que faço e, principalmente, das coisas que digo. Odeio me preocupar com cada e-mail, cada mensagem, cada palavra que eu disse em uma reunião ou para um grupo de pessoas, mesmo que essa reunião tenha ocorrido há mil anos, detesto me preocupar tanto, mas me preocupo, constantemente. E às vezes, eu não consigo parar.


Tem dias em que está tudo bem, a vida está ótima e, por alguns momentos, até esqueço como é me preocupar tanto, o tempo todo. Mas aí, uma simples discussão em sala de aula, ou uma apresentação de trabalho na faculdade, com aquela professora que me deixa um pouco nervosa, me faz voltar para casa me arrependendo de algo que disse e então começa uma sucessão de pensamentos como: “não deveria ter feito aquela pergunta”, “não fui educada o bastante”, “não deveria ter dito aquilo”, “acho que fui muito grossa”, “tudo o que eu disse foi inútil e vergonhoso”, “eu deveria ter estudado mais”, “eu deveria ter ficado calada”. E às vezes eu penso tanto sobre isso que não consigo dormir, mesmo que eu queira e isso me assusta.


Algumas pessoas me dizem para esquecer, pois foi apenas uma discussão e ninguém vai ficar pensando se eu disse ou não algo de errado, mas não é tão simples assim, eu queria que fosse. Eu queria não ficar pensando sobre o assunto por tanto tempo. Eu termino de expor alguma ideia ou pensamento em sala, e me viro para perguntar para o meu colega do lado se o que eu disse foi muito ruim, se foi algo que deu para entender, se não pareceu tosco e vazio. E mesmo que meu colega me diga que foi bom, que ele entendeu o que eu disse, na maioria das vezes acabo me arrependendo de ter dito. De três frases que eu falo em uma conversa com pessoas que não conheço bem, duas me fazem ficar pensando que talvez fosse melhor se eu tivesse ficado em silêncio. 


Tem dias em que repenso cada erro que posso ter cometido, cada palavra que disse em uma simples conversa banal e me sinto cansada por ainda tentar. Mas, nestes dias, respiro fundo, fecho meus olhos um pouco e tento não chorar por isso, busco lembrar das vezes em que gostei de ter dito algo em público, de ter exposto algum pensamento, de ter contribuído para uma discussão em sala. E aí me lembro de uma conversa que tive recentemente, com uma professora que admiro muito. Ela me disse que ainda sente um frio na barriga quando vai dar aula, que ela não dorme direito antes do primeiro dia em uma turma nova e que também sente a famosa dor de barriga antes de falar alguma coisa. Ela é uma pessoa que quando fala, faz a turma inteira prestar atenção. Ela é uma das professoras mais incríveis que eu já tive e isso me faz pensar o quanto eu perderia se ela não falasse, mesmo com o frio na barriga, então, às vezes, eu falo também. 



Eu tento expor algum pensamento, mesmo que seja difícil. Mesmo que eu ainda fique pensando sobre isso três meses depois, tento escrever um e-mail e não ficar três horas procurando erros nele. E tem dias em que eu realmente consigo, e é uma vitória, mesmo que ninguém saiba, mesmo que seja particular. A maioria das vitórias são particulares. Talvez devêssemos começar a contar e dar mais valor à elas também. E eu sei que tem dias em que vou me arrepender de algo que disse, de algo que escrevi, e que vou ficar pensando de novo e de novo e de novo sobre isso, mas, por agora, me contento em conseguir escrever isso aqui, de compartilhar com alguns amigos e de entender que muitas pessoas, até as que considero incríveis, às vezes sentem um pouco o que é viver assim. E eu sei que melhora com o tempo. Está melhor agora. 



Então, o que aprendi em todos esses poucos anos, com todas essas experiências, arrependimentos, e pensamentos constantes às 03:00 da manhã, é que sempre vale a pena tentar prestar atenção quando um colega ou alguém está falando, mesmo que seja algo que eu não entenda, porque ninguém sabe o quão difícil pode ser para ele dizer alguma coisa. Eu sei o quão difícil é para mim. Então busco respirar fundo, continuar falando, continuar escrevendo, mesmo que minhas mãos fiquem tremendo, mesmo que talvez eu me arrependa, mesmo que eu apague esse texto algumas horas depois. Tento distrair minha cabeça e não pensar, tão profundamente, em coisas que, no fundo, não importam tanto assim. Cada dia é um pequena vitória e estou aprendendo, mesmo que aos poucos, a viver bem com elas.

















segunda-feira, 31 de julho de 2017

Ele não bate em você...




Ele não bate em você, ele só xinga suas amigas. Ele não bate em você, ele só te afasta da sua família. Ele não bate em você, ele só escolhe suas roupas. Ele não bate em você, ele só controla seus horários. Ele não bate em você, ele só sente ciúmes de tudo. Ele não bate em você, ele só decide onde você vai. Ele não bate em você, ele só te afastou dos maus amigos. Ele não bate em você, ele só mostra como você não é boa o suficiente. Ele não bate em você, ele só diz coisas ofensivas sobre seu corpo para te ajudar. Ele não bate em você. Ele disse que vai mudar. Ele não bate em você, foi só daquela vez, não foi? Ele não bate em você, ele estava bêbado. Ele não bate em você; você é que provoca. Ele não bate em você, ele só aperta seu braço com força de vez em quando. Ele não bate em você, ele só diz que faz tudo isso porque te ama. Ele não bate em você, mas às vezes parece que ele vai. Ele não bate em você, ele só te acha louca. Ele não bate em você, não é isso que importa? Ele não bate em você... mas isso não significa que ele não te machuque.

segunda-feira, 24 de julho de 2017

Querido amigo...




Querido amigo, eu não me importo com sua idade, com quantas graduações você tenha, em que local você trabalha, mas sim se você é capaz de olhar feito bobo quando se apaixona. Seja por seus amigos, por um amante, pela vida. Não me importo se você tem um carro do ano, um celular maneiro, uma balada todo fim de semana, mas sim se você consegue parar, conversar e prestar uma real atenção ao que seus amigos dizem.


Não me importo com quantas línguas diferentes você saiba, mas sim se conseguimos nos entender mesmo que nenhuma palavra seja dita. Não me importo com suas roupas da moda, mas sim se você respeita a pessoa que tira as dela para você. Não me importo se você tem um posicionamento político diferente do meu, mas sim se você é capaz de me ouvir, assim como eu sou capaz de te ouvir, sem querer entrar em uma disputa de quem está menos errado.


Eu não me importo com o que você pensa ser o melhor para sua vida, desde que você não queira impor seu modo de vida na vida de outras pessoas. Eu não estou aqui para mostrar como sou mais evoluída ou mais inteligente que você, mas sim para escutar, conversar e entender. Não me importo com a quantidade de conteúdo que você tenha decorado na ponta da língua, mas sim no que podemos aprender na mistura de nossos conhecimentos, de nossos encontros.


Não me importo que você tenha a solução mágica para todos os problemas do mundo, mas sim se você consegue ouvir uma dor sem querer consertá-la. Se você consegue entender que algumas dores existem sem a necessidade de um conserto. Me importo em saber se você consegue ouvir, amar, respeitar a existência de outra pessoa, mesmo que não entenda, assim como eu respeito a sua. Não me importo com o que você tem, mas sim com quem você é por dentro, porque quem eu sou por dentro é tudo o que tenho, com todo o meu coração, para te oferecer.

terça-feira, 11 de julho de 2017

Porque “a gente” ficou… para que nós pudéssemos ir.


Nós tivemos nossos encontros, mansos, rasos, profundos, intensos, vivos, tristes, lindos. Nós nos amamos, mas do nosso jeito, imperfeito, estreito, intenso, mas calmo quando precisou. Nos machucamos feio, feito acidente de rua, daqueles que acontecem de madrugada e só a gente sabe que aconteceu. Mas nos curamos também, feito beijo que sara joelho ralado de criança. A gente foi criança, criança tentado ser adulto, achando que ser adulto é legal, mas não é. Até ser. A gente se chocou, grudou, beijou,  mas também se afastou, chorou, abraçou, puxou, empurrou, correu. A gente se interrompeu, porque precisava se interromper, porque precisava ver como um seria sem o outro, porque a gente precisava sobreviver,  e a gente sobreviveu. A gente sempre sobrevive. A gente se perdeu e se encontrou, só para então se perder de novo, para perceber que se perder tambem é bom. A gente saiu e voltou, foi e ficou. A gente mudou. A gente se pertenceu e se deixou. Só para um dia perceber, que a gente tinha deixado de ser a gente, para poder virar gente com outro alguém. A gente se abandonou, mesmo não querendo abandonar, a gente se deixou, porque tinha que deixar. A gente saiu, para então se reencontrar. Se reencontrar e sorrir,  sorrir mesmo sabendo que não era mais “a gente”. Porque “a gente” ficou… para que nós pudéssemos  ir.

domingo, 18 de junho de 2017

A gente aprende a cansar de tudo, para não viver cansado.



A gente aprende a levar porrada e ai a revidar com porrada, porque porrada é tudo o que sobrou para gente revidar. E de tanto levar porrada, a gente aprende a viver sempre na defensiva, e por viver sempre na defensiva, aprender a só conseguir conversar com quem pensa igual. Por só conseguir conversar com quem pensa igual, a gente perde coisas incríveis do outro e nem percebe. A gente aprende a viver cansado e dormir pouco, e por dormir pouco, aprende a beber litros de café para se manter acordado durante o dia. Por beber litros de café para se manter acordado durante o dia, a gente não consegue dormir direito à noite, e por não conseguir dormir direito à noite, a gente vive cansado.

A gente aprende a estar sempre correndo, e por estar sempre correndo, perde de ver as coisas que passam devagar, e por perder as coisas que passam devagar, a gente vai se fechando para as belezas do mundo e nem percebe. A gente aprende que é normal não ter tempo para nada, e por não ter tempo para nada, aprendemos a colocar os compromissos mais importantes na agenda, e por colocar os compromissos mais importantes na agenda, esquecemos do que realmente importa. A gente aprende a ter que ignorar o sofrimento do colega do lado, para poder lidar com os nossos próprios sofrimentos, aí a gente se culpa por não lidar com o sofrimento do colega do lado e sofre mais. A gente aprende a viver com culpa, mas não o que fazer com ela.
A gente aprende que  viver é um caos e que a justiça não funciona, e por pensar que a justiça não funciona, a gente começa a querer resolver as coisas com as próprias mãos, e por resolver as coisas com as próprias mãos, a gente vive no caos. A gente aprende que o trânsito é sempre estressante, e por aprender que o trânsito é sempre estressante, a gente vê uma fila e fica estressado, e por ficar estressado, o trânsito é sempre estressante. A gente aprende que conversa é briga e não diálogo, e por aprender que conversa é briga e não diálogo, a gente aprende a  ficar quieto para não brigar, e por ficar quieto, a gente não mostra o que sabe, e por não mostrar o que sabemos, não aprendemos algo novo. Por não aprendermos algo novo, a gente aprende a viver sempre no mesmo.

A gente aprende que tem que estudar 20 horas por dia para ser alguém, e por estudar 20 horas por dia para ser alguém, aprendemos a ter apenas 4 horas por dia para gente ser quem a gente é, e por sobrar apenas 4 horas para sermos aquilo que somos, aprendemos que não somos ninguém. A gente aprende a não perder tempo com ligações, e por não perder tempo com ligações, a gente aprende a mandar apenas mensagens, por mandar apenas mensagens, a gente perde de ouvir a melodia na voz do outro.  A gente aprende a não ter tempo para as coisas bobas da vida, a não cuidar da saúde mental, a não relaxar.

A gente aprende a não se importar com o pôr do sol, porque pôr do sol é sempre igual, e por ser sempre igual, a gente pode deixar para amanhã. A gente aprende a “cansar” de ler as notícias, por achar que só tem coisas ruins para ler, e por achar que só tem coisas ruins para ler, a gente nunca sabe quando acontece algo de bom. E por achar que nada de bom acontece, a gente aprende que no mundo só tem coisas ruins, por achar que só tem coisas ruins no mundo, a gente cansa de tentar fazer alguma coisa boa.
A gente aprende esse montão de coisas e aprende a se acostumar com elas. Aprende que não ter tempo para si mesmo é normal, que é mais fácil brigar com o outro do que escutar seu ponto de vista. Aprende que a gente é que está certo e o mundo todo errado, e por aprender que o mundo está todo errado, a gente vive sozinho. A gente aprende e se acostumar com aquilo aprende, mesmo sabendo que não deveria, porque buscar o novo cansa. E então a gente aprende a cansar de tudo, para não viver cansado.

domingo, 30 de abril de 2017

Por que estamos, o tempo todo, com essa sensação de que deveríamos estar fazendo mais?



Hoje, enquanto conversava com uma pessoa que gosto muito, me deparei com um assunto que vinha me incomodando há bastante tempo. Por que estamos, o tempo todo, com essa sensação de que deveríamos estar fazendo mais? Você pode perguntar ao redor, não é apenas uma ou duas pessoas que estão com esse sentimento, mas sim uma grande parte do seu círculo de amigos\colegas. Estamos todos ansiosos, culpados e com a sensação de que deveríamos estar fazendo mais do que estamos. A questão é: por quê? Por que temos esse sentimento de que o outro consegue fazer muitas coisas, adquirir diversos conhecimentos, enquanto nós estamos aqui, andando pela vida, sem saber pelo menos um pouco sobre muita coisa?

Vivemos em meio à uma competição onde o melhor é aquele que consegue fazer mais coisas em menos tempo,  uma competição onde não existe um vencedor, porque ninguém é bom o suficiente para vencer. Bom o suficiente para vencer o quê? Não sei, só sei que eu deveria estar fazendo alguma coisa... Não importa se você tem sete matérias obrigatórias na faculdade, mil provas, trabalhos, textos e a cabeça cheia de problemas, você ainda se sente culpado toda vez que não consegue entender um conteúdo, toda  vez que não participa em sala, toda vez que um professor não sabe o seu nome, porque você deveria ter se esforçado mais, feito mais coisa, usado melhor o seu tempo, absorvido mais informação. No fim do dia, você sempre acha que deveria ter feito algo que não fez.

Estamos tão presos nessa lógica irreal e doentia de sucesso, melhor administração do tempo, que nem percebemos o quanto, às vezes, a única coisa que deveríamos estar fazendo é respirando fundo. Porque nem respirar a gente consegue mais, temos que marcar uma hora na yôga para isso. Porque os jornais valorizam a pessoa que estudou vinte e seis horas por dia para passar em medicina, não importa se isso é logicamente impossível, se ela conseguiu, por que você não consegue? Estamos achando “incrível” comportamentos que deveriam estar nos deixando preocupados. Estamos sacrificando a nós mesmos por uma patética e irreal chance de sermos vistos, de sermos importantes, de conseguirmos finalmente calar essa voz que grita constantemente que não somos bons o suficiente. Suficiente para quê? Não importa. Nunca importou.

Ignoramos nossos amigos, deixamos de ir em alguma festa legal, não conseguimos estar 100% presentes nas reuniões de família, nas relações românticas, ou naquele simples momento no parque, tudo porque, no fim, nossa felicidade e nossa saúde sempre perdem espaço na ordem de prioridades irreais de nossas vidas. Algo é sempre mais importante do que parar e entender que às vezes "não fazer nada" é tudo o que você precisa fazer naquele momento.

Então pare, respire fundo, guarde essa culpa imensa no bolso e olhe ao redor, mesmo que seja por apenas dois minutos, mesmo que você não tenha muito tempo. Olhe bem, porque estamos nos tornando pessoas de olheiras enormes e almas culpadas, segurando litros de café e caixas de remédios, enquanto nos perguntamos, constantemente, porque não fizemos mais.